Inicio Meio Ambiente Expedição à ilha de Alcatrazes (SP) retira mais de 20 mil corais predadores

Meio Ambiente

Expedição à ilha de Alcatrazes (SP) retira mais de 20 mil corais predadores

O coral sol é uma praga que contamina o litoral do Brasil e ameaça a biodiversidade das regiões onde se instala.

2 de fevereiro de 2017 • Atualizado às 11 : 30
Expedição à ilha de Alcatrazes (SP) retira mais de 20 mil corais predadores

A Estação Ecológica é uma área de abrigo, reprodução e alimentação da biodiversidade marinha. | Foto: Mariana Cora / WWF-Brasil

373
0

Alcatrazes, arquipélago que fica a 43km da costa da cidade de São Sebastião (SP) é um cenário rochoso que encanta. O abrigo da maior biomassa da costa brasileira está sofrendo uma ameaça silenciosa: quem vê a espécie coral sol (batizada por causa de sua cor) no fundo do mar se maravilha com sua exuberância. O que não sabe é que esse tipo de espécie é predadora no Oceano Atlântico e invade cada vez mais a Amazônia Azul comprometendo a vida de outros corais nativos, peixes e outros animais que vivem na costa nacional, levando os pesquisadores da região à realização de uma série de expedições desde 2013 para retirada do coral.

Em janeiro, a WWF-Brasil realizou mais uma dessas expedições, com a participação de 20 pessoas, entre voluntários e funcionários do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Ao todo, foram retirados do fundo do mar 20 mil colônias de coral sol durante cinco dias, entre os dias 6 e 10 de janeiro.

Expedicao_Alcatrazes_WWF_Brasil

Foto: Mariana Cora / WWF-Brasil

A importância de proteger o arquipélago é tanta que, durante a expedição realizada neste mês, foram autuados dois barcos fazendo uso irregular da Unidade de Conservação. Ou seja, além de auxiliar a biodiversidade de toda a região, obtendo maior controle de espécies invasoras como o coral sol, a expedição ajuda na fiscalização do espaço. Para isso, o Núcleo de Gestão Integrada ICMBio Alcatrazes (NGI Alcatrazes) conta com o apoio de voluntários, que ajudam a disseminar a importância da conservação desses ambientes.

ExpedicaoAlcatrazes

Foto: Mariana Cora / WWF-Brasil

Coral sol

As espécies que vem surgindo em Alcatrazes são do tipo Tubastraea tagusensis, de origem equatorial, e Tubastraea coccinea, vinda do Indo-Pacífico. Ambas têm alto poder danoso ao meio ambiente, já que roubam o espaço e os subsídios de outros corais, dificultando a vida de diferentes tipos de espécies marinhas. O mal é causado porque as espécies estrangeiras são mais competitivas que as nativas, conseguindo alastrar-se com mais facilidade no ambiente. Assim, a expedição busca retirar o coral sol do oceano para que as espécies locais ganhem tempo para se adaptar com a invasora.

Arquipélago de Alcatrazes

Em um dos cenários mais paradisíacos do Brasil, onde a pesca é proibida e um dos poucos usos públicos a ser permitido é o turismo de mergulho, está oNGI Alcatrazes, dividido entre a Estação Ecológica Tupinambás e o Refúgio de Vida Silvestre do Arquipélago de Alcatrazes. Ambos prezam pela conservação da biodiversidade do arquipélago por meio de diferentes objetivos. A Estação Ecológica é uma área de abrigo, reprodução e alimentação da biodiversidade marinha local, permitindo a realização controlada de visitas apenas com objetivos educacionais e pesquisa científica. Em suas águas, que totalizam cerca de 3 mil hectares, é possível encontrar espécies ameaçadas de extinção, como a toninha e a raia-viola. Já no Refúgio, estão protegidas as espécies marinhas ameaçadas e migratórias, como as aves marinhas do arquipélago. São ao todo 91 espécies, sendo 12 ameaçadas de extinção. Juntas as áreas, por não permitirem pesca, possibilitam que muitas espécies comerciais de peixe sobrevivam e repovoem seu entorno, garantindo a subsistência de muitas comunidades de pescadores artesanais.

Expedicao_Alcatrazes

Foto: Mariana Cora / WWF-Brasil

Programa Marinho

O WWF-Brasil atua no Arquipélago de Alcatrazes em parceria com o ICMBio por meio do Programa Marinho. Entre nossas responsabilidades está o apoio à gestão das Unidades de Conservação que compõem o NGI Alcatrazes, no Litoral Norte de São Paulo, por meio de atividades voltadas para a conservação da biodiversidade, para a comunicação e o engajamento da sociedade e para o fortalecimento das UCs marinhas e costeiras.

(373)

logo
Fechar
Abrir
logo