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Especialistas enviam à presidência manifesto por proteção ambiental

Os documentos foram produzidos durante o Congresso Mundial de Conservação da Natureza.

16 de setembro de 2016 • Atualizado às 11 : 59

O manifesto reforça a importância da complementação do sistema de proteção da Amazônia brasileira. | Foto: Andre Deak/Flickr

Especialistas enviam à presidência manifesto por proteção ambiental
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Na última semana, especialistas em conservação da biodiversidade encaminharam à Presidência da República manifestos a favor da proteção da Amazônia brasileira, pela ampliação do Parque Nacional e Área de Proteção Ambiental do Boqueirão da Onça e também do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Os documentos foram produzidos durante o Congresso Mundial de Conservação da Natureza, realizado em Honolulu, no Havaí, entre os dias 01 e 10 de setembro.

O evento, realizado a cada quatro anos pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, em inglês), reuniu cerca de dez mil participantes na edição de 2016. O Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, é uma das 20 instituições brasileiras membros do comitê brasileiro da IUCN, que participam das discussões e tomadas de decisão do comitê. O diretor geral do Instituto, Dr. Helder Lima de Queiroz, esteve presente no encontro e destacou a mobilização dos membros do comitê brasileiro para emitir manifestos sobre a criação ou ampliação de unidades de conservação.

“São áreas que apresentam grande representatividade no Cerrado e na Caatinga, biomas que são menos representados no sistema nacional de unidades de conservação. Neste sentido, a Amazônia tem a sorte de ter quase 25% de seu território já protegido de alguma forma, seja por uma unidade de conservação de qualquer nível administrativo (municipal, estadual ou federal, ou mesmo particular), seja por terras indígenas ou territórios quilombolas”, disse. Helder reforça que aqueles biomas, que estão sofrendo mais fortes graus de impacto da ação humana, como agricultura e pecuária, ainda possuem pouca cobertura de áreas protegidas.

“A criação de áreas ou de mosaicos de áreas protegidas nestes biomas é algo que deve ser apoiado e incentivado. Não só pelos membros do comitê brasileiro da IUCN como por toda a sociedade brasileira”, ressaltou Helder.

Proteção da Amazônia brasileira

Um dos manifestos assinado e encaminhado à Presidência da República reforça a importância da complementação do sistema de proteção da Amazônia brasileira e elogia os avanços alcançados nos últimos anos, como a criação de unidades de conservação no sul do estado do Amazonas neste ano, quase atingindo a meta de 60 milhões de hectares de áreas protegidas criadas e apoiadas, estabelecida pelo Programa de Áreas Protegidas da Amazônia – ARPA.

O texto também recomenda o alcance das metas nacionais da biodiversidade até 2020, alinhadas com as metas de Aichi, ratificadas pelo Brasil, além de destacar a necessidade de melhoria das condições com recursos financeiros, de pessoal, de efetividade de gestão, entre outros.

Leia o material na íntegra aqui.

Boqueirão da Onça e Chapada dos Veadeiros

Também foram produzidos outros dois manifestos, um a favor da ampliação do Parque Nacional e Área de Proteção Ambiental do Boqueirão da Onça, na Bahia, e outro a favor da ampliação do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás.

Recentemente, o Governo do estado de Goiás pediu seis meses de prazo para concluir o acordo de ampliação do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, que é reconhecido pela UNESCO como sítio do Patrimônio Mundial da Humanidade. O manifesto relata que a região sofre grandes pressões do agronegócio, que ameaça a conservação da área. No documento, o comitê brasileiro da IUCN e demais instituições solicitam a imediata assinatura do presidente Michel Temer para ampliação para 242 mil hectares do parque. Atualmente, a área protegida é de apenas 65 mil hectares.

O texto reforça que a ampliação da unidade de conservação contribuirá para a proteção da biodiversidade do Cerrado, para a conservação dos recursos hídricos, além de contribuir com alternativas de renda para as populações locais, por meio do ecoturismo.

Clique aqui para ler o material sobre a Chapada dos Veadeiros na íntegra.

O outro manifesto, demanda a criação do Parque Nacional e da ampliação da Área de Proteção Ambiental do Boqueirão da Onça. O texto afirma que “a falta de ações concretas e efetivas de conservação se traduzem em impactos diretos para a manutenção da qualidade de vida do sertanejo e para a economia dos estados e municípios inseridos na distribuição do Bioma por contribuírem para o avanço das frentes de desertificação e comprometerem serviços ambientais essenciais como provimento de água”. Os especialistas lembram que a Caatinga, quando comparada com outros biomas, possui poucos serviços ambientais e poucos esforços de conservação da biodiversidade.

A região possui alta diversidade de ambientes, associada a sítios arqueológicos e paleontológicos. Os especialistas destacam no texto que a ampliação da área protegida contribui com benefícios ambientais e sociais, podendo gerar também oportunidades econômicas para a população do semiárido, com a geração de emprego e renda.

Clique aqui para ler o material sobre o Boqueirão da Onça na íntegra.

 

 

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