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Escolas isoladas na Amazônia ganham sistema de energia solar

Até então, professores e estudantes dependiam da queima de diesel e volta e meia faltava combustível.

13 de julho de 2017 • Atualizado às 11 : 52

Foto: Alessandra Mathyas /WWF-Brasil

Escolas isoladas na Amazônia ganham sistema de energia solar
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A energia elétrica faz parte de nossas vidas de uma forma tão natural que raramente imaginamos nossa vida sem ela. Mas, para quase dois milhões de brasileiros que vivem em áreas isoladas, ela ainda é um sonho. Um sonho que aos poucos vem se tornando realidade com a chegada da energia solar fotovoltaica nas comunidades amazônicas.

Na primeira semana de julho, aconteceu a primeira instalação fotovoltaica em uma escola isolada no sul do Amazonas. Foi na comunidade Cassianã, Reserva Extrativista Médio Purus, no município de Lábrea. Por iniciativa do WWF-Brasil, a escola que hoje atende cerca de 60 alunos da comunidade agora terá aulas ininterruptas noturnas e também poderá usufruir de outros benefícios, como a possibilidade de ter ventilador nas aulas, fazer pesquisas pela internet e ter uma iluminação adequada, além da economia com o combustível.

Segundo João Araújo, líder da comunidade, “às vezes, falta inflamável e o pessoal fica até três dias sem aulas”. Somente para as aulas noturnas, são necessários em média três litros de combustível para o gerador da escola, o que chega a um gasto de R$ 450 por mês. “O combustível vinha certinho para os dias de aula. Agora, vamos ter mais tempo e luz para pesquisar. Acho que até poderemos ter uma impressora!”, disse a aluna de Ensino Médio, Francisca Souza. O barulho do motor também atrapalha muito as aulas. “Só em pensar que agora não vamos mais ter o barulho do motor, pra gente não tem preço. Tinha noite que faltava a voz”, desabafa o professor de Educação de Jovens e Adultos, Cicleude Barroso.

Curso para extrativistas

A instalação do sistema solar foi a culminância do Curso de Sistemas de Energia Solar Fotovoltaica para Qualidade de Vida e Produção Sustentável, ministrado pelos técnicos do Programa Qualidade de Vida do Instituto Mamirauá de Tefé/Amazonas. Este instituto atua com uso de energia solar na Amazônia há muitos anos e integrou a proposta do WWF-Brasil no desafio de capacitar e instalar sistemas também no sul do Estado. Participaram do curso moradores das duas Resex de Lábrea, eletricistas da prefeitura e estudantes da Universidade Estadual do Amazonas (UEA).

O conteúdo, de 40 horas, abordou os princípios básicos da eletricidade, fontes renováveis e não renováveis, os componentes do sistema solar fotovoltaico autônomo e como planejar e projetar esses sistemas solares, seus conceitos básicos e a gestão comunitária de tecnologias sociais. Ao final da atividade, na própria escola, onde todos treinaram na prática a instalação do sistema, os alunos receberam certificado de participação e festejaram muito quando as luzes da escola se acenderam.

“O curso foi bom demais! Um bom aprendizado! Estou na fé que coisas boas virão”, disse Jelsenir Barbosa de Souza, morador da reserva. Já para o gestor do ICMBio na Resex Médio Purus, José Maria Ferreira de Oliveira, “o curso teve instrutores muito bons, uma mensagem didática, houve interação e um bom desempenho da turma. Isso mostra que cada ação investida na unidade de conservação traz bons frutos. Temos o sonho de ter uma Resex com energia limpa”.

Foto: Alessandra Mathyas /WWF-Brasil

Foto: Alessandra Mathyas /WWF-Brasil

Próximos Passos

A chegada da energia elétrica limpa na escola, a partir da energia solar, foi uma reinvindicação da Associação dos Trabalhadores Agroextrativistas do Médio Purus – Atamp, que desde o ano passado apoia o WWF no projeto Resex Produtoras de Energia Limpa. As instalações continuarão em setembro, com mais uma escola e sistema de bombeamento de água de rio na Resex Médio Purus. Já na Resex Ituxi, também em Lábrea, serão instalados três sistemas para uso produtivo: bombeamento de água, refrigeração e para equipamentos como despolpadeiras de frutas e extração de óleos vegetais. E quem irá trabalhar nessas instalações serão os alunos das reservas que participaram do curso, supervisionados pela equipe do WWF.

“Com isso, os extrativistas acreditam que aumentarão a produção, poderão conseguir melhores preços e também terão uma vida comunitária mais dinâmica, fazendo das escolas centros também de cursos de tecnologia à distância e espaços de vivência nos finais de semana”, explica a analista de conservação do Programa Clima e Energia do WWF, Alessandra Mathyas.

A iniciativa em parceria com o ICMBio tem o apoio técnico da empresa Usinazul e do Instituto Mamirauá e o apoio institucional da Schneider Eletric, J.A. Solar, UEA e da Prefeitura de Lábrea.

Foto: Divulgação /Instituto Mamirauá

Foto: Divulgação /Instituto Mamirauá

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