Derretimento das geleiras representa problema duplo para o abastecimento de água
18 de Abril de 2012 • Atualizado às 06h14

Uma pesquisa feita por um grupo de cientistas dos Estados Unidos e Canadá mostra que à medida que o gelo desaparece, a velocidade de evaporação total acelera.

Os glaciares de montanha desde que se sabe estão recuando com o aquecimento do planeta. Mas, o processo está ocorrendo mais rapidamente do que se pensava, disseram os estudiosos de São Francisco, durante uma reunião da União Geofísica Americana, em dezembro passado.

O professor emérito de glaciologia da Universidade de British Columbia em Vancouver, no Canadá, Garry Clarke disse que as geleiras maciças de região Saint Elias do Canadá, agora composta por quase 453 quilômetros cúbicos, estão sujeitas a serem reduzidas pela metade até 2100.

Segundo ele, em partes das Montanhas Rochosas canadenses as geleiras de hoje vão desaparecer completamente, enquanto outras vão encolher a remanescentes de apenas 5 a 20% de seu tamanho atual.

"Nós achamos que seremos testemunhas no próximo século, principalmente do desaparecimento das geleiras do oeste da América do Norte", disse o glaciologista.

Outras descobertas perturbadoras estão vindo do Himalaia, onde Ulyana Horodyskyj, uma estudante graduada do Instituto Cooperativo para Pesquisa em Ciências Ambientais da Universidade de Colorado, tem monitorado os lagos supraglaciais - lagoas de água que aparecem na superfície do derretimento de geleiras.

"A maioria das pessoas pensam sobre geleiras", disse ela, "mas elas também diminuem verticalmente. Estes lagos podem levar a um derretimento maior, e vemos um monte deles sendo formados ao longo do Himalaia. Você pode pensar nesses lagos como cânceres que estão consumindo a geleira."

Mesmo que todos os glaciares de montanha do mundo derretam, o efeito sobre o aumento do nível do mar seria pequeno. Clarke, estima, por exemplo, que mesmo se todas as geleiras do oeste do Canadá derretessem completamente, os oceanos subiriam apenas 6,6 milímetros, "não o suficiente para preocupar qualquer um."

No entanto, as geleiras funcionam como reservatórios naturais, armazenando água no inverno e distribuindo-o no verão quando o gelo derrete lentamente.

"Se a maioria desaparece, haveria consequências extremas para a maior parte dessas regiões", disse o professor. "A vazão vai mudar, o tempo de vazão de pico vai mudar, e a temperatura de fluxos vai mudar."

Até mesmo o volume total de escoamento vai mudar, acrescentou Michel Baraer, da Universidade McGill, Montreal, no Canadá, porque o gelo glacial mantém a água ‘trancada’ em uma forma em que não é fácil evaporar.

Assim, mesmo se a precipitação permanecer a mesma nas montanhas elevadas, a maior parte da água será na forma líquida, que se evapora mais rapidamente.

A construção de represas também não vai resolver o problema de diminuir o escoamento. "A evaporação dos reservatórios é muito maior do que a sublimação [de conversão de sólido em gás] das geleiras", disse Baraer. "As barragens nunca substituirão os sistemas hidrológicos [natural] que estão em vigor hoje."

Baraer disse que o Peru está à beira de enfrentar a escassez de água. Isso porque um dos maiores rios que saem das geleiras elevadas dos Andes, o Rio Santa, já está escasso no derretimento das geleiras, disse ele.

Anteriormente, os cientistas pensavam que o problema estava há várias décadas no futuro. Mas, com base em medidas de satélite da cobertura de gelo e fluxo de água em estações hidrométricas do rio, sua equipe concluiu que o Rio Santa já atingiu o "pico de água", o ponto em que o escoamento das geleiras já atingiu um platô e, em seguida, começa a declinar.

"Isto significa que em vez de ter dez, 20, ou 30 anos de perspectiva em encontrar alguma solução para alocação de água, estes anos não existem", disse o pesquisador.

E isso é só o começo. Grande parte da América do Sul, com suas montanhas altas e sol tropical, parecem ser particularmente vulneráveis ​​à diminuição dos glaciais por causa do clima.

Assim,o próximo passo será voltar-se para os vizinhos do Peru, particularmente Bolívia e norte do Chile, para ver se mudanças de fluxos semelhantes estão ocorrendo lá, finalizou Baraer. Com informações da National Geographic.

Redação CicloVivo



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