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Centenas de bilhões de lixo plástico estão indo parar no Ártico

Segundo novo estudo, o continente funciona como um “beco sem saída” para o plástico flutuante do oceano.

28 de abril de 2017 • Atualizado às 14 : 47

Cerca de 300 bilhões de pedaços de detritos plásticos estão girando em torno do Ártico. | Foto: Environmental Health Perspectives/NIH

Centenas de bilhões de lixo plástico estão indo parar no Ártico
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Por ONE2030

Apesar de pouco povoada, a região do Ártico enfrenta uma onda de infortúnios induzidos pelos humanos ultimamente. Além de estar sendo remodelado devido ao aquecimento do planeta, ele agora também está cheio de lixo plástico.

O lixo plástico é uma ameaça crescente para os oceanos ao redor do planeta. De acordo com um novo estudo, o Ártico não só compartilha esse problema global, mas também funciona como um “beco sem saída” para detritos flutuantes marinhos à deriva pelo Atlântico Norte.

Segundo os autores de um novo estudo publicado pela revista Science Advances, cerca de 300 bilhões de pedaços de detritos plásticos estão girando em torno dos oceanos do Oceano Ártico e dos mares da Groenlândia atualmente. A maioria destes são microplásticos, do tamanho de grãos de arroz, que podem ser especialmente ruins para a vida selvagem.

O estudo revelou que a maior parte do plástico no ártico chega através da corrente do golfo. Segundo os pesquisadores, existem “concentrações bastante altas” nos mares de Barents e Groenlândia. “Há um transporte contínuo de lixo flutuante do Atlântico Norte e os mares da Groenlândia e Barents agem como um beco sem saída para este fluxo contínuo de plástico”, explica o autor principal Andrés Cózar, biólogo da Universidade de Cádiz, na Espanha.

As águas quentes do golfo transportam plástico do Atlântico Norte para o Oceano Ártico. Imagem: NASA GSFC

Para esclarecer isso, Cózar e seus colegas fizeram uma viagem de cinco meses ao redor do Oceano Ártico, criando um mapa de detritos plásticos flutuantes. Eles também usaram dados de mais de 17.000 boias com rastreamento por satélite, que flutuaram na superfície do oceano para ajudá-los a traçar o fluxo de plástico do Ártico encalhados pelas correntes oceânicas.

“O Ártico é um dos ecossistemas mais primitivos que ainda temos, e ao mesmo tempo, é provavelmente o ecossistema mais ameaçado pela mudança climática e pelo derretimento do gelo do mar. Qualquer pressão extra sobre os animais no Ártico, gerada a partir de lixo plástico ou por outra poluição, pode ser desastrosa”, diz o coautor do estudo, Erik van Sebille, oceanógrafo e cientista climático do Imperial College de Londres.

De acordo com um estudo de 2015, aproximadamente 9 milhões de toneladas por ano de plástico entram nos oceanos da Terra, matando e fazendo adoecer a vida selvagem de diversas maneiras. Redes de pesca descartadas sufocam golfinhos e baleias, por exemplo, enquanto sacolas plásticas entopem os sistemas digestivos de tartarugas marinhas com fome de água-viva. Além disso, ao contrário de outros detritos biodegradáveis, o plástico não se desintegra facilmente na água do mar, principalmente quando transformado em microplásticos menores e menores. Estes representam uma ameaça ecológica ainda mais perigosa, formando manchas tóxicas que parecem alimentos para aves marinhas, peixes entre outros animais marinhos.

Para os pesquisadores, o próximo passo é traduzir isso em como melhorar a reciclagem de plástico em terra. “Uma vez que o plástico está no oceano, fica muito difuso, muito pequeno e muito misturado com algas para filtra-lo facilmente para fora. A prevenção é a melhor cura”, conclui Sebille.

Notícia oferecida pela ONE2030.

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