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Benefícios de andar a pé ou de bike são superiores aos malefícios da poluição

Muitas pessoas ainda têm receio de praticar atividades ao ar livre nos centros urbanos.

22 de novembro de 2016 • Atualizado às 11 : 02

Aumentar este o deslocamento ativo poderia se refletir em uma redução de 4,9% na emissão de material particulado fino na atmosfera. | Foto: Alffoto/iStock by Getty Images

Benefícios de andar a pé ou de bike são superiores aos malefícios da poluição
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As atividades físicas são excelentes para manter a saúde. No entanto, quando se fala em atividade ao ar livre nos centros urbanos, como a caminhada e a pedalada, muitas pessoas ainda têm receio dos problemas que a poluição atmosférica pode gerar. Um estudo, do qual Thiago Hérick de Sá, pesquisador da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP), fez parte, mostrou que os benefícios da atividade física são superiores aos malefícios da poluição.

Conforme reportagem da Agência Fapesp, os níveis de poluição considerados pela Organização Mundial da Saúde para que uma região tenha o ar “limpo” é de dez microgramas de partículas finas por metro cúbico. Em São Paulo, por exemplo, a média da cidade é de 19 microgramas de partículas finas por metro cúbico, número quase duas vezes superior ao recomendado pela OMS. Mas, isso não deve ser um impeditivo para o transporte ativo, ou seja, o deslocamento feito a pé ou de bicicleta.

“Para São Paulo, os malefícios da exposição à poluição do ar vão começar a superar os benefícios de se deslocar ativamente só depois de muitas horas. No caso da bicicleta, depois de dez, doze horas. O que é algo que grande parte da população não vai fazer no seu dia-a-dia”, explicou o pesquisador.

Foto: Fernando Pereira/Secom

Foto: Fernando Pereira/Secom (via www.capital.sp.gov.br)

Cidades compactas

Encurtar distâncias percorridas no trajeto casa-trabalho é uma ferramenta importante para ter uma cidade mais ativa. Segundo estudo publicado na revista The Lancet, durante a Assembleia Geral da ONU em 2016, e do qual Thiago Hérick de Sá também fez parte, aumentar este tipo de deslocamento poderia se refletir em uma redução de 4,9% na emissão de material particulado fino na atmosfera.

“Um modelo de cidade mais compacto, com o uso do solo mais adensado, uma cidade mais diversa, com uso misto do solo maior, uma cidade com distâncias menores, onde as pessoas não precisam se deslocar tanto para irem de um lugar para o outro, e uma cidade em que 10% das viagens que, hoje são feitas de carro ou moto, passariam a ser feitas a pé ou de bicicleta, é uma cidade do futuro, mas não é inalcançável”, comentou o cientista, com base em análises de diferentes metrópoles no mundo.

Durante o estudo de modelos de cidades mais compactos, os pesquisadores perceberam que, por mais diferentes que as realidades fossem, os resultados eram sempre os mesmos. “Um sistema de transporte mais sustentável trouxe ganhos em termos de saúde à população, seja pela redução da poluição do ar, seja pelo aumento da prática de atividades físicas e o consequente impacto disso nas doenças crônicas”, esclarece o pesquisador.

Em contrapartida, os pesquisadores identificaram que em cidades compactas é preciso também investir em estruturas que garantam maior segurança aos pedestres e ciclistas, para evitar acidentes e mortes no trânsito. “O que eu quero dizer com isso: que a gente precisa e infraestrutura cicloviária decente, bem feita e em toda a cidade. Que a gente precisa de calçadas muito melhores do que as que a gente tem, não só no centro expandido, não só nos centros de bairro, a gente precisa disso na cidade toda. A gente precisa garantir que, ao pedir para as pessoas se deslocarem a pé ou de bicicleta, que elas possam fazê-lo de forma segura e, não apenas segura, mas de forma agradável, de forma a aproveitar tudo o que a cidade tem a oferecer”, finalizou Sá.

Redação CicloVivo

 

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