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2º maior lago da Bolívia está totalmente morto

A perda de peixes está na casa dos milhões e, pelo menos, 500 aves, entre elas flamingos e patos, também morreram.

15 de janeiro de 2016 • Atualizado às 11 : 07

Localizado próximo ao famoso Salar de Uyuni, em seus tempos de cheia, o lago chegava a cobrir uma área de 2.500 km2. | Foto: Rocco Lucia/Flickr

2º maior lago da Bolívia está totalmente morto
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O Poopó é o segundo maior lago da Bolívia e uma das maiores áreas de águas salinas em toda a América do Sul. Após anos sofrendo com as mudanças e fenômenos climáticos, ele está totalmente seco. Além da água, a região também perdeu importantes espécies de peixes e aves.

Localizado próximo ao famoso Salar de Uyuni, em seus tempos de cheia, o lago chegava a cobrir uma área de 2.500 quilômetros quadrados, sendo um importante refúgio para belas espécies, como os flamingos. Hoje o que resta no local é uma imensidão de terra seca e rastros de animais mortos e barcos abandonados.

Imagem aérea do Lago Poopó em 1991. | Foto: Nasa

Imagem aérea do Lago Poopó em 1991. | Foto: Nasa/Flickr

Em entrevista à agência Reuters, Milton Perez, professor na Universidade Técnica de Oruro, explicou o que aconteceu com Poopó nos últimos anos. Segundo ele, há décadas o local tem sua paisagem variando entre a cheia e uma seca extrema. “Em 1995, 1996, já havia alguma seca e a água ia embora, mas ela voltava rapidamente. Deveria haver chuvas agora, mas isso não está acontecendo”. Para o professor, as mudanças no fenômeno El Niño são as principais justificativas para o cenário catastrófico atual.

Registro feito durante o período de seca em 1996. | Foto: Nasa

Registro feito durante o período de seca em 1996. | Foto: Nasa/Flickr

“O El Niño costumava acontecer a cada dez anos. Então, você tinha dois anos e o Lago Poopó tinha outros oito anos com climas normais, com temperatura e chuva constantes, isso mantinha os níveis de água dentro da normalidade”, esclareceu Pereza na entrevista. No entanto, devido ao aquecimento global e às mudanças nas correntes do Oceano Pacífico, o fenômeno climático tem acontecido a cada três anos, deixando apenas um ano para que o lago se recomponha e isso não tem sido suficiente.

Após décadas convivendo com temporadas de seca e cheia, a crise começou a se agravar em 2014, causando a morte de uma grande quantidade de animais. A perda de peixes está na casa dos milhões e, pelo menos, 500 aves, entre elas flamingos e patos, também morreram.

A situação fica ainda pior devido ao grande acúmulo de sedimentos minerais, que pela falta de água para drenar, acabam contaminando o solo com uma muita areia avermelhada. O atual estado do lago gera perdas extremas à biodiversidade e impossibilita que as comunidades locais, dependentes principalmente da pesca, continuem a habitar a região.

Redação CicloVivo

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