O surgimento de pequenas plantas em hortas e jardins é considerado um fator natural e muito comum em todas as regiões do país, segundo o especialista em Agricultura Orgânica Thiago Tadeu Campos. No entanto, uma vez que as chamadas “ervas daninhas” começam a aproveitar de todos os recursos providos para o cultivo, é necessário tomar uma atitude para erradicar sua presença e evitar que a plantação seja devastada.

Em geral, são consideradas plantas invasoras ou ervas daninhas todas as espécies que nascem sem o auxílio humano. Ou seja, que surgem de forma esporádica no solo, começando a competir por luz, espaço e nutrientes e prejudicam o desenvolvimento do cultivo planejado. Além disso, a planta daninha costuma propagar-se de forma rápida e quantitativa, competindo pelo espaço das demais plantas.

Primeiramente, elas causam problemas ao produtor orgânico por competir pelos recursos naturais da plantação. Em outras palavras, as daninhas ocupam os espaços mais ensolarados, utilizam de mais nutrientes do solo e absorvem mais água, devido a raízes mais eficientes. Assim, em presença de daninhas, a plantação principal sofre com a falta de recursos, ficando pobre e enfraquecida.

Além disso, em um segundo momento, as plantas invasoras agem como foco de proliferação de pragas e doenças, como insetos e pequenos animais, como roedores e pássaros. Consequentemente, há uma baixa no rendimento da produção e o produtor começará a arcar com um custo maior de produção.

Aprenda a identificar as plantas invasoras em sua horta

As plantas invasoras costumam surgir de forma pontual e aparentam uma estrutura simples e fácil desenvolvimento. Em um canteiro organizado, as ervas daninhas são aquelas que nascem entre as fileiras de semente e que não se parecem com as mudas da plantação desejada. Por crescerem rapidamente, são facilmente identificáveis, além de demonstrarem baixa resistência às intempéries.

A terra preta, muitas vezes confundida com o composto orgânico, pode conter grandes quantidade de sementes de ervas daninhas, portanto, cabe ao agricultor orgânico adquirir o composto ou produzi-lo em casa, pois é através das altas temperaturas de decomposição da matéria orgânica que os bulbos e sementes das plantas invasoras serão eliminados.

O controle de ervas daninhas pode ser realizado por capina do terreno ou através da retirada manual. A retirada manual é considerada mais eficiente devido à retirada individual das raízes, sementes e bulbos que não danificarão as plantas de interesse. Já o uso de enxadas e grades precisa ser feito com cuidado para que não sejam prejudicadas as plantas principais do cultivo.

Outra opção é pastejo de ruminantes entre os canteiros ou a prática de enterrar as plantas invasoras com uma camada grossa de mulch, privando-as assim de luz e espaço. Além disso, pode-se optar pelo plantio de forrageiras junto ao cultivo principal. Plantas forrageiras são de fácil desenvolvimento, como o feijão-nhemba, a abóbora ou a batata doce.

O controle natural é sempre a melhor escolha!

O uso de herbicidas não é recomendado no caso de plantas invasoras de um cultivo orgânico. Além de atingir a horta como um todo, pode deixar resíduos químicos no solo e no produto a ser consumido. É uma opção altamente prejudicial para quem busca a produção 100% orgânica e sustentável.

Por outro lado, retirar as plantas invasoras é uma tarefa simples e que exige tempo apenas uma vez. Após erradicada, a espécie tende a desaparecer e não causar maiores incômodos. Para quem tem sua própria horta orgânica , saber cuidar dos pequenos detalhes faz toda a diferença tanto na beleza das plantas quanto na qualidade dos alimentos.

DESCRICAO_AUTOR_THIAGO_TADEU_CAMPOS

Jornalista, social media e aparelhada para gostar de passarinhos. Tem interesse por mais assuntos do que é capaz de acompanhar. Aqui escreve sobre infinitas possibilidades de tornar o mundo um pouquinho melhor.