Para colaborar com grupos comunitários na criação e gerenciamento de hortas urbanas seguras, bem-sucedidas e sustentáveis, o Grupo de Estudos de Agricultura Urbana (Geau) do IEA lançou a cartilha “Agricultura Urbana – Guia de Boas Práticas”, escrita pelo engenheiro ambiental Luís Fernando Amato-Lourenço e coordenada por Thais Mauad.

Amato-Lourenço é doutorando do programa de pós-graduação do Departamento de Patologia da FMUSP e integrante do Geau. Thais é professora do mesmo departamento e coordenadora do grupo de estudos. O guia foi desenvolvido como parte da tese de Amato-Lourenço. Foram utilizadas informações provenientes de artigos científicos, revisões sobre o tema e consultas com especialistas.

Os autores afirmam que as cidades podem ser ótimos lugares para o cultivo de alimentes, mas “alguns locais podem não ser apropriados devido à contaminação do solo, água e/ou ar”. A produção de vegetais em regiões contaminadas possibilita que alimentos absorvam “metais, compostos orgânicos ou outras substâncias em concentrações acima do recomendado para o consumo humano”, tornando-os um risco para a saúde.

Agricultura urbana e suas precauções

Os elementos químicos mais preocupantes para a saúde são chumbo, mercúrio, arsênico e cádmio, por serem muito tóxicos e muito comuns. “Compostos derivados da queima incompleta da matéria orgânica, como o benzo(a)pireno, também podem estar associados a doenças, ou seja, são potencialmente mutagênicos e carcinogênicos.”

A cartilha traz orientações para a coleta de amostra de solo, onde efetuar sua análise e como interpretar os resultados. No caso da água, a publicação alerta que fontes com valores de potabilidade desconhecidos devem ter amostras testadas anualmente de acordo com a Resolução 357/05 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Os laboratórios que realizam testes da água também são indicados. A captação e uso da água da chuva (apenas em irrigação e/ou limpeza de equipamentos) é recomendada, pois implica em economia para o agricultor urbano, reduz o consumo de água potável e auxilia na redução de enchentes.

Clique aqui para baixar a cartilha.

Além de afetar a saúde da população pela simples aspiração de partículas e gases, a poluição do ar pode prejudicar a produção de certos alimentos, informam os autores. “Vegetais folhosos com superfície rugosa tendem a acumular poluentes que podem ser absorvidos pelas plantas. A proximidade de rodovias e avenidas com grande circulação de veículos e constantes congestionamentos contribui para que uma mistura de poeiras compostas por desgaste de pneus, asfalto e peças automotivas cheguem até a horta.”

Além disso, as partículas em suspensão no ar vão sedimentar e contribuir para a contaminação do solo, explicam. Havendo necessidade, o agricultor deve optar pela produção em estufas ou o uso de barreiras verticais, segundo a cartilha, que ainda uma série de outras precauções simples que devem ser tomadas para minimizar a toxicidade dos vegetais e sua exposição a contaminantes.

A cartilha é uma edição do Geau, com apoio da União das Hortas Comunitárias de São Paulo, FMUSP, Fundação Faculdade de Medicina e Fapesp, da qual Amato-Lourenço é bolsista.

Clique aqui para baixar a cartilha.

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Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.