Você sabe qual a influência dos besouros em suas plantações? De acordo com o especialista em agricultura orgânica Thiago Tadeu Campos, os besouros são insetos da família dos coleópteros que se caracterizam por apresentarem o primeiro par de asas endurecido. Outra característica é possuírem duas fases de desenvolvimento, uma larval e outra adulta. Em ambas as fases os besouros podem representar prejuízos para as plantações. Enquanto as larvas tendem a atacar os órgãos subterrâneos, os indivíduos adultos atacam folhas e regiões apicais.

Devido as suas características de desenvolvimento e as diversas espécies presentes nas diferentes regiões do país, o produtor que queira manter seu cultivo longe de besouros deve manter-se atento ao aparecimento de danos e incorporar ao seu manejo métodos de prevenção e controle de pragas integrado.

É importante que o produtor conheça as espécies de besouros presentes em sua região e que saiba identificar tanto os adultos quanto suas larvas. A maioria dos besouros possui o primeiro par de asas rígido e seu corpo pode variar em forma e tamanho. Os indivíduos adultos buscam mudas, brotos, folhas novas e regiões apicais para se alimentarem. Já suas larvas tem a cabeça visível e permanecem no solo até o final de seu desenvolvimento. Veja abaixo algumas das principais características de diferentes grupos de besouros:

Vaquinhas – Os besouros popularmente conhecidos como vaquinhas são pequenos (cerca de 8mm de comprimento) e possuem cores que se destacam em meio à plantação, com manchas coloridas em sua carcaça, geralmente verde e amarelas, e antenas visíveis. Quando adultas, as vaquinhas consomem principalmente as folhas, perfurando-as. Já as larvas, finas e esbranquiçadas, atacam a região das raízes.

Corós – Besouros Corós são escuros, largos, com um par de pernas resistente o suficiente para escavar e com uma espécie de chifre posicionada no topo da cabeça. As larvas são esbranquiçadas e possuem um formato de semicírculo, atacando principalmente as raízes.

Bicudos – Os besouros Bicudos são facilmente identificáveis por possuírem um prolongamento na cabeça. Suas larvas são esbranquiçadas e não possuem pernas visíveis.

Larva Arame – Esse besouro possui uma carcaça escura e seu corpo é fino, possui dois espinhos localizados no topo da cabeça e quando capturados emitem sons similares ao estalar de dedos humano. Suas larvas são marrons e atacam raízes e órgãos subterrâneos das plantas.

Serra-Pau – O besouro Serra-Pau possui antenas longas e chamativas. Suas larvas possuem o corpo ligeiramente dilatado e atacam o caule das plantas, causando um dano chamado de broqueamento, ou seja, a formação de galerias no tronco das plantas.

Além dessas espécies é possível encontrar em hortas e plantações besouros conhecidos como desfolhadores, estes pertencem principalmente as famílias Chrysomelidae e Curculionidae. São popularmente chamados de besouro-amarelo, besouro-de-limeira, besouro-de-quatro-pintas, besouro-pardo, besouro-cai-cai e carneirinhos. Recebem o nome de desfolhadores devido a característica dos danos causados por besouros, que rendilham as folhas, principalmente folhas novas e brotos apicais.

Técnicas de controle de pragas

Para controlar besouros na horta orgânica, pode-se fazer uso de inseticidas orgânicos, plantas repelentes, rotação de culturas e controle biológico. No entanto, o mais indicado é que se realize um controle integrado de todas as técnicas, promovendo a harmonia do ecossistema e evitando a necessidade do uso de aditivos químicos ou toxinas.

Como prática comum, a rotação de culturas, além de oferecer proteção natural ao ambiente, garante um melhor aproveitamento da adubação da terra e evita que as pragas se acomodem em uma mesma região. Da mesma forma, a diversificação de culturas evita que a mesma espécie de pragas se prolifere no ambiente, isto porque limita a oferta de alimento.

Para o controle biológico de pragas, são utilizados fungos como o Beauveria bassiana, que invadem o organismo dos besouros e se instauram através de esporos nos órgãos internos do besouro hospedeiro. Também é recomendada a utilização de vespas e demais predadores naturais para equilibrar a cadeia alimentar e erradicar as pragas de determinada região, um exemplo é o uso de Cephalonomia stephanoderis, uma vespa que ataca e controla a broca-do-café.

Outra alternativa para o controle de besouros numa plantação é o uso da Calda Sulfocálica, que atua como inseticida e pesticida orgânicos, criando uma camada protetora e protegendo as plantas, não só do ataque de besouros, mas também de fungos e ácaros.

O Óleo de Neem também é uma excelente alternativa para proteger o cultivo de forma orgânica. O óleo é produzido através de sementes e de frutos de Neem e atua como inseticida natural, protegendo as plantas sem causar danos ao meio ambiente.

Além disso, plantar determinadas plantas ao redor da plantação principal pode funcionar como um repelente natural. Ou seja, inserir algumas espécies que emitem odores fortes o suficiente para agir como repelentes orgânicos é uma alternativa sustentável e eficiente. Entre as plantas recomendadas, pode-se citar o alho, a arruda, o alecrim, o tomilho e o coentro. Essas ervas aromáticas, além de muito utilizadas na culinária, são excelentes para impedir a chegada, e a consolidação, de pragas em diversas plantações.

Entre os besouros é possível encontrar espécies Desfolhadoras, Minadoras, Rizófagas e Broquiadoras, que causam, respectivamente, danos às folhas, à epiderme da planta, aos bulbos e raízes e aos frutos, ramos e caules. Portanto, é essencial estar atento aos canteiros e observar toda e qualquer deficiência que as plantas vierem a apresentar.

Vale lembrar que o surgimento de pragas tem como base alguma deficiência da plantação, que pode estar relacionada as condições ambientais de solo e água, as quais podem desencadear a aparição de diversos outros problemas.

Nesse caso, o processo de prevenção de pragas por meio do fortalecimento do cultivo como um todo, evitará problemas em longo prazo. Se em sua horta você já encontra e sofre com o ataque de besouros, uma medida a curto prazo é a utilização de repelentes e defensivos naturais.

DESCRICAO_AUTOR_THIAGO_TADEU_CAMPOS

Thiago Tadeu Campos é especialista em agricultura orgânica e consultor master em produção orgânica na empresa ImGrower. Um de seus principais hobbies é compartilhar conteúdo em seu próprio blog, cuja missão é fornecer material prático, atualizado e de qualidade sobre a produção de alimento orgânico e cultivo protegido.