A LAN Colômbia estabeleceu mais um marco na história da aviação da Colômbia ao operar, ontem (21), o primeiro voo comercial com biocombustível de segunda geração no país. Produzido a partir da camelina, o combustível foi utilizado em conjunto com o JET A1 – querosene convencional de aviação – na proporção de 30% e 70%, respectivamente. Esse tipo de biocombustível reduz a emissão de gases do efeito estufa, já que não emite gás carbônico (CO2) adicional na atmosfera, além de não concorrer com fontes de alimento humano ou animal.

O voo, realizado com o apoio da Terpel – empresa colombiana do setor de petróleo e gás natural –, foi operado por um Airbus A320, que decolou às 10h (hora local) do Aeroporto Internacional de El Dorado de Bogotá em direção a Cáli.

O CicloVivo, representado por Catharina Birle, participou do voo juntamente com 174 passageiros, convidados especialmente para a ocasião. Para celebrar esse feito, também foi realizado um evento que contou com a presença de Hernán Pasman, diretor executivo da LAN Colômbia, e outros executivos da companhia aérea e da Terpel. 

O Grupo LATAM Airlines, do qual LAN e TAM fazem parte, é pioneiro na incorporação do biocombustível na América do Sul. Em novembro de 2010, a empresa brasileira realizou um voo teste com combustível produzido a partir do óleo de pinhão manso misturado com o querosene convencional de aviação. Em março de 2012, a LAN realizou seu primeiro voo comercial desse tipo no Chile, na rota Santiago – Concepción, com combustível proveniente de resíduos de óleo vegetal refinado. Agora, a LAN se torna também a primeira a realizar esse tipo de voo na Colômbia.

O país foi escolhido por se encontrar em uma posição privilegiada para produção de biocombustíveis, devido ao seu clima, disponibilidade de áreas para o cultivo e localização geográfica favorável. Adicionalmente, conta com um marco regulatório que estimula a produção e a comercialização de biocombustíveis. Já a rota para este voo foi eleita porque Cáli é uma das cidades estratégicas para a consolidação da LAN na Colômbia. Além disso, o Valle del Cauca, cuja capital é Cáli, foi pioneiro no país na produção de bicombustível.

“Essa foi a segunda grande iniciativa da LAN nessa área. Nós apoiamos o desenvolvimento de combustíveis sustentáveis que tenham alto potencial produtivo na América do Sul. As fontes de energia renovável desempenham um papel importante na aviação mundial e serão cada vez mais relevantes no processo de tomada de decisões do setor e da nossa companhia”, destacou Ignacio Cueto, CEO da LAN Airlines.

“É uma proposta importante que não só contribui para o desenvolvimento da indústria aeronáutica do país e da região, mas também causa um impacto positivo no setor agrícola, além de trazer importantes avanços para a proposta exportadora da Colômbia”, diz Sylvia Escovar, presidente da Terpel.

Impacto do biocombustível no meio ambiente

O CO2 resultante da queima de biocombustíveis utilizados no voo é praticamente o mesmo capturado pelo vegetal durante seu ciclo de vida, anulando assim emissões adicionais desse gás na atmosfera.

Além disso, os biocombustíveis de segunda geração, como o utilizado nesse voo, são obtidos a partir de matérias-primas que não concorrem com fontes de alimento ou recursos básicos utilizados por seres humanos. As plantações não utilizam superfícies cultiváveis pelo homem, o que é essencial para o desenvolvimento desse recurso em escala e para preservação do planeta.

Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.