Em um ano marcado por uma série de eventos climáticos extremos, picos nos preços de commodities e desastres na cadeia de suprimentos, os dados mais recentes do programa CDP Forests revelam que parte da comunidade empresarial ainda desconhece os riscos que o desmatamento provocam em suas próprias cadeias de suprimentos.

Neste ano, o CDP Forests, que integra a organização internacional CDP, reuniu diversas empresas no The Royal Society, em Londres. Em nome de 184 investidores, o programa solicitou às companhias que divulguem suas exposições a riscos de desmatamento através da utilização que fazem de cinco commodities agrícolas, responsáveis pela maior parte do desmatamento: óleo de palma, soja, biocombustíveis, madeira e criação de gado.

Com base no relato das participantes, são três desafios chave relacionados a este tema: falta de rastreabilidade nas cadeias de suprimentos globais de commodities; desafios com certificações e incerteza regulatória.

Dentre todas as empresas que integram o programa, observou-se melhora parcial de 27% neste ano, sugerindo progresso na questão de gerenciamento de riscos de desmatamento. Entretanto, algumas empresas ainda não reconhecem fornecimento e a volatilidade dos preços como um risco. Alguns clientes, por exemplo, afirmam não ter nenhum risco em seu negócio relacionado às mudanças climáticas e uma única companhia reconheceu que a fraude no fornecimento de informações é um problema.

"Muitas empresas não entendem a complexidade dos riscos de desmatamento em seus negócios. Mas, se nenhuma atitude é tomada, diversos mercados podem se tornar desastrosos, como o caso do escândalo envolvendo a carne de cavalo, minando o valor para o acionista. No CDP, temos o maior sistema do mundo para que empresários declarem e entendam esses ricos operacionais, de reputação e de cadeias de suprimento, enquanto alertamos investidores para os valores implicados", afirma Paul Simpson, CEO do CDP.

O CDP é uma organização internacional, que provê um sistema global único para que as empresas e cidades meçam, divulguem, gerenciem e compartilhem informações vitais sobre o meio ambiente.

O relatório completo está disponível no site.

Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.