Milhares de fãs que foram curtir o show da banda Pearl Jam em São Paulo e no Rio de Janeiro na última semana, terão suas emissões de dióxido de carbono, que foram geradas pelo transporte para chegar até o show, como carro, ônibus e avião, compensados.

Desde 2003, a banda norte-americana Pearl Jam dedica parte de seus lucros para ações de compensação de CO2 decorrente de suas turnês pelo mundo. Em 2018, uma nova parceria da banda com a Conservação Internacional escolheu o Idesam para compensar, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã, 2.500 toneladas de dióxido de carbono (CO2) geradas durante as apresentações no Rio de Janeiro e São Paulo.

O carbono calculado é referente ao transporte aéreo e terrestre dos integrantes da banda e equipe, das estadias em hotéis, bem como a pegada de carbono gerada pelos fãs que participarão dos shows.

“É importante para nós reconhecer o impacto ambiental de nossas turnês e fazer o que estiver em nosso alcance para mitigá-las”, disse Stone Gossard, guitarrista do Pearl Jam, no site oficial da banda.

Seguindo a linha de trabalho do Programa Carbono Neutro Idesam, a compensação será feita por meio do plantio de novas árvores em sistemas agroflorestais na RDS do Uatumã. O investimento beneficiará 27 famílias da reserva, gerando empregos em todas as fases da compensação, desde a coleta de sementes, passando pela produção, plantio, até o acompanhamento das árvores.

“A iniciativa é importante porque ajuda a compensar o CO2 que emitiremos em nossas turnês no Brasil, ao mesmo tempo em que ajudamos a proporcionar oportunidades de emprego e segurança alimentar para comunidades locais”, completa Gossard.

Para Pedro Soares, gerente de Mudanças Climáticas do Idesam, a parceria com uma banda como o Pearl Jam é extremamente valiosa para que mais pessoas entendam a importância de ações de combate às mudanças climáticas. “O debate sobre mudanças climáticas ainda é distante do dia a dia das pessoas. Esperamos que essa oportunidade ajude a disseminar um sentimento de responsabilidade com o planeta”, afirma.

​”Estamos entusiasmados em estabelecer mais esta parceria com o Pearl Jam para proteger a Amazônia e espalhar a mensagem da importância de sua floresta para além das suas fronteiras”, afirma Rodrigo Medeiros, vice-presidente da Conservação Internacional.

Sobre o Programa Carbono Neutro

O Programa Carbono Neutro (PCN) é uma iniciativa que busca conectar os grandes centros urbanos às florestas, permitindo que pessoas, empresas e iniciativas compensem seus impactos ambientais.

Através do plantio de Sistemas Agroflorestais (SAFs) na RDS do Uatumã, o PCN apoia a recuperação de áreas que foram degradadas por práticas convencionais de agricultura.

O modelo de cultivo adotado nos plantios, que se baseia na associação entre espécies florestais e agrícolas, contribui para gerar uma alternativa de renda e promover a segurança alimentar para as famílias que moram na reserva.

Parceria de longa data

Desde 2000, o Pearl Jam e a Conservação Internacional são parceiros em iniciativas de mitigação de carbono. Em 2012, o Pearl Jam se tornou na banda carbono neutro do mundo. Em 2015, compensaram o CO2 produzido durante a turnê na América Latina e EUA, com investimentos no Projeto Alto Mayo, da Conservação Internacional no Peru, e no Projeto Floresta Amazônica de Valparaiso, da Fundação CarbonFundBrasil.

A compensação dos shows no Brasil, em 2018, faz parte de uma iniciativa chamada “Amazonia Live”, resultado de uma parceria entre Conservação Internacional, Ministério do Meio Ambiente, Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), Banco Mundial, Fundo Brasileiro de Biodiversidade (Funbio), Instituto Socioambiental (ISA) e Rock in Rio.

O Amazonia Live é uma iniciativa socioambiental do Rock in Rio, que pretende plantar 73 milhões de árvores em 30.000 hectares, até 2023. A iniciativa quer ajudar o Brasil a avançar em direção ao cumprimento de seu compromisso feito no Acordo de Paris, de restaurar 12 milhões de hectares até 2030.

Informações do Pearl Jam e do Idesam.

Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.