Quando o brasileiro pensa em investir, logo vem à mente: comprar um imóvel. Geralmente, esta decisão é influenciada por familiares e amigos. Casou? Compre uma casa. Filhos? Compre uma casa. Está indo bem no trabalho? Invista comprando uma casa. O problema é que, apesar da pressão da sociedade, esta escolha está atrelada a uma série de responsabilidades que só o comprador deverá assumir. Antes de comprar um imóvel, é importante entender como essa escolha pode impactar a sua vida. Idade, flexibilidade, tamanho do imóvel e outras maneiras de investir no futuro (sem abrir mão do seu presente) são algumas das questões que devem ser levadas em conta. Separamos alguns questionamentos para serem levados em consideração antes de assinar qualquer contrato.

A melhor idade para comprar

Especialistas são unânimes em dizer que investir em um imóvel muito cedo, por meio de financiamento, pode ser uma escolha com impacto não muito positivo na vida do jovem. Isso porque ele ainda está no início de sua carreira e, na maioria dos casos, com pouco dinheiro para dar uma boa entrada no financiamento. Assim, o jovem paga parcelas altas, com juros e por um longo período. Enquanto isso, ele desiste de investir nele mesmo e em sua carreira profissional. Ou seja, fica totalmente sem condições financeiras de fazer uma pós-graduação, um curso de inglês em outro país ou perde atividades que proporcionem experiências únicas e enriquecedoras, como shows, passeios e viagens.

Qual seria então a solução? Muitos vão dizer o contrário, mas o aluguel pode sim ser um aliado da flexibilidade. Ainda mais optando por um lugar menor, mais barato e poupando o restante para investir da melhor forma. O ideal é esperar para comprar um imóvel perto dos 40 anos, quando a renda geralmente é maior, o FGTS pode já possuir uma quantia significativa para uma boa entrada e o comprador pode financiar o imóvel em 10 anos, ao invés de passar 30 anos da vida pagando parcelas.

É claro que a figura muda se a pessoa tem o dinheiro para comprar um imóvel à vista ou pagando parcelas baixas, como acontece na compra de casas populares. A dica para esses jovens é comprar o imóvel pensando em um investimento, sem apego pessoal. Se precisar alugar ou vender, não deixe que isso influencie ou guie totalmente a sua vida.

Tamanho e valor

Antes de comprar é preciso se perguntar: Você está pronto para ficar preso àquele local e àquele tamanho do imóvel? O bairro atende a suas expectativas ao longo da vida? Considere que sua vida pode mudar bastante. Você pode se casar, pode ter um, dois ou três filhos…que crescerão e um dia vão sair de casa.

Caso precise se desfazer de seu imóvel, por exemplo, você dependerá do mercado e de um comprador, o que nem sempre aparece rapidamente. Outro fator importante é a vacância. Um investidor que detém um imóvel corre o risco de o inquilino sair e o imóvel ficar vazio. Portanto, ele terá que arcar com todos os custos envolvidos.

Se uma casa pequena e mais barata supre as suas necessidades e de sua família, aproveite para poupar e fazer outros tipos de investimentos, tanto financeiros como pessoais. Tenha em mente: casas menores e mais baratas são mais fáceis de serem vendidas ou alugadas.

A ilusão de que o imóvel é seu

Quando você pega as chaves de um imóvel financiado, acha que ele já é seu. Porém, a verdade é que o imóvel é do banco até você terminar de pagá-lo. E se você não conseguir pagar as prestações, o imóvel será tomado. Outro ponto importante: os juros do financiamento podem fazer o imóvel custar até o dobro. Mesmo os juros sendo baixos, é preciso avaliar pois eles incidem sobre um montante alto e por um longo período de tempo.

Considere outras formas de investir em imóveis

Uma maneira eficiente de investir em imóveis é aplicando seu dinheiro em FII (Fundo de Investimento Imobiliário). Os FIIs são investimentos onde todo o recurso captado é investido no setor imobiliário. Ao invés de comprar um imóvel físico, você pode comprar cotas de prédios comerciais, shoppings, hospitais, entre outras construções.

Apesar desse tipo de investimento ser pouco conhecido pelos brasileiros, ele é uma boa opção para quem possui um dinheiro guardado. Ao invés de dar entrada em um imóvel, o investidor pode comprar cotas de FIIs de diferentes setores e diminuir o risco e exposição de seus investimentos.

Ao comprar um imóvel físico, o investidor terá gastos como certidões, registros e, dependendo do imóvel, o valor será alto. Ao investir em FIIs, você poderá adquirir apenas uma cota, sendo muito mais acessível. Além disso, vender uma cota de fundo é mais fácil e rápido do que vender um imóvel. Outra vantagem é que em um FII toda administração é feita pelo gestor e administrador. Ao contrário de um imóvel, onde o proprietário tem que arcar com possíveis obras e atrasos de pagamento de aluguel.

Clique aqui para entender melhor como o FIIs funciona.