A cidade italiana de Milão se inspirou no exemplo francês para lançar um projeto de incentivo ao uso da bicicleta como meio de transporte. A ideia é recompensar financeiramente os moradores que decidirem trocar o carro pela bike no trajeto diário ao trabalho.

A medida faz parte da estratégia de redução nas emissões de gases de efeito estufa e deve ser financiada com um fundo, anunciado em dezembro, para promover práticas de mobilidade sustentável na cidade. Para que a estratégia seja aplicada, no entanto, é preciso criar um sistema eficiente de monitoramento.

De acordo com o secretário de mobilidade, Pierfrancesco Maran, em entrevista ao jornal britânico The Guardian, o software já existe, mas ainda deve passar por melhorias, para que seja totalmente eficiente. Para isso, o governo conta com o apoio de cientistas da Universidade Politécnica de Milão.

A gerente de mobilidade do instituto, Eleonora Perotto, esclarece que é necessário criar uma ferramenta dentro do sistema que garanta que o trajeto percorrido seja mesmo o de casa ao trabalho. Mas, a tecnologia deve ir além disso, monitorando velocidade média e condições climáticas, com o intuito de oferecer mais informações e incentivos aos ciclistas.

Mesmo que o intuito da retribuição financeira pareça atrativo, especialistas alertam que ele, por si só, não deve ter resultados tão efetivos e abrangentes. Projetos semelhantes e estudos feitos em outros países comprovam isso. Na França, por exemplo, o sistema de recompensa atraiu apenas algumas centenas de ciclistas.

Para que a mudança realmente exista, os pesquisadores explicam que é necessário oferecer estruturas eficientes, para que o ciclista se sinta seguro e a viagem de bicicleta seja tão ou mais rápida e prática do que de carro. Um estudo realizado em Copenhague, por exemplo, mostrou que apenas 6% dos ciclistas usam a bicicleta diariamente pelos benefícios financeiros. Mas, 56% dos entrevistados disseram que optam pela bike por ser um meio de transporte prático, rápido e fácil.

Redação CicloVivo