Sabe aquele carro que quase não faz barulho, que não polui, e que pode ser recarregado a partir da conexão com uma tomada? Esse veículo que há poucos anos só era visto nos filmes já está rodando pelas ruas das cidades. O carro elétrico é uma realidade palpável, atraente, mas que ainda não cabe no bolso de boa parte da população.

Os carros elétricos já são uma realidade em vários países, principalmente na Europa. Porém, aqui no Brasil, ainda está muito longe de se tornar uma realidade. Não somente pelo preço do veículo, mas também pela falta de estrutura. Muitas iniciativas por parte do governo estão sendo implementadas, mas que ainda não surtiram o efeito desejado para aumentar a frota de veículos elétricos no país.

A matemática da importação de um carro elétrico tem prejudicado o potencial mercado brasileiro. A taxação de impostos de um carro hibrido ou movido a eletricidade é mais alta do que comparada a um carro movido a gasolina. Esta política do governo deveria investir exatamente na inversão deste cálculo.

Os benefícios da compra de um veículo de energia limpa só aparecem para o consumidor quando o carro ele chega as concessionárias. Um cliente que está em busca de um veículo elétrico recebe uma bonificação de 25% no valor do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). Como até o momento os veículos são importados, o governo que decide qual o benefício de IPI vai conceder para a marca e modelo.

Portanto, para aumentar a entrada e circulação de carros elétricos é necessário que o governo implemente políticas que incentivem ao consumo desse tipo de energia renovável. Os benefícios para os consumidores são inúmeros, mas hoje, o custo do veículo torna a compra para o brasileiro praticamente inviável.

Como funciona um carro elétrico

Basicamente um carro elétrico é movido por eletricidade. Mas vamos lá, existem vários modelos, e nem todos eles têm o mesmo funcionamento. Alguns são movidos pela bateria, alguns contam com tanque reserva de gasolina para recarregar a bateria por alguns quilômetros para dar mais autonomia, mas em sua maioria, todos os carros contam com o selo de emissão zero de poluentes.

  • Bateria

Nos modelos mais populares de carro elétrico as baterias são similares as utilizadas em celulares (íon-lítio). Elas chegam a pesar 200kg para poder armazenar a energia necessário para rodar cerca de 100 km com um tanque do combustível. A vida útil delas é de aproximadamente 100 mil quilômetros.

  • Módulo de controle

É a peça que controla a velocidade do veículo. Por ela passa a energia que vem da bateria e gerencia a aceleração do carro.

  • Motor elétrico

Potente e sem barulhos é a vida do carro elétrico. Já que transforma a energia que vem da bateria em movimento. Os estudos comprovam que este motor é três vezes mais eficiente do que os convencionais.

  • Transmissão

Aí está uma grande diferença no carro elétrico. Estes veículos só tem uma marcha e mais a ré. A medida que se acelera o carro a força gerada pela energia aumenta a velocidade, por isso são retiradas as embreagens. Ou seja, a força que movimenta o carro é proporcional a energia gerada pelo motor. Isto simplifica, e muito, o processo de direção.

  • Freios

Outro sistema inovador que aproveita o calor gasto para a frenagem para produzir energia. Ou seja, cerca de 90% do calor gerado pelos freios volta para a bateria, reabastecendo o sistema de energia elétrica.

Devido a todas essas mudanças e benefícios apresentados por um carro elétrico muitas montadoras já vêm apresentando seus modelos em feiras ao redor do mundo. Além de baratear os custos e trabalhar com um combustível não poluente, os carros elétricos tem uma tecnologia de ponta, mas que daqui alguns anos poderá não ser cara para ser produzida.

Carros elétricos chegaram ao mercado brasileiro?

Com a frota atual de carros elétricos e híbridos que o país possui hoje, se pode dizer que os carros de energia limpa ainda não chegaram no Brasil. Atualmente existem pouco mais de duas mil amostras dessa nova tecnologia circulando pelas cidades, o que mostra o quanto o mercado brasileiro ainda está fora dessa nova proposta veicular.

As oportunidades para expandir os negócios por aqui são grandes, já que o brasileiro é adepto à novas tecnologias e gosta de consumir os produtos de qualidade que são importados. Mas dois pontos são fundamentais para a demora na popularização dos carros elétricos: o preço e a falta de suporte para o pleno funcionamento.

Os carros elétricos precisam ser abastecidos em tomadas com voltagem de 240 volts. Em uma tomada residencial o abastecimento de um tanque pode demorar até 12 horas. Nos postos ou tomadas empresariais pode demorar 8 horas. Mas nos postos rápidos espalhados pelas ruas, a recarga da bateria pode chegar a 30 minutos.

A autonomia do carro é de cerca de 100 km e a economia é muito significativa. Um carro elétrico tem um rendimento médio de 11 quilômetros por KWh, e o custo de 1KWh é de aproximadamente R$ 0,29. Colocando na balança, sem quilômetros com um carro a gasolina, sairia mais de R$ 35,00.

Quanto custa um carro elétrico

Este é um dos maiores obstáculos para a popularização dos carros elétricos no Brasil. O preço de um veículo desses é muito alto porque a tecnologia ainda é muito cara. Os três modelos mais baratos vendidos no país custam mais de R$ 100 mil.

o          BMW i3 – R$ 159.950,00

É o único modelo vendido no Brasil que é totalmente elétrico. Ele conta com um motor elétrico e outro a gasolina que funciona como um gerador quando o nível de bateria se aproximada da reserva.

o          Toyota Prius – R$ 123.950,00

Este veículo tem um motor a gasolina 1.80 com 98cv de potência e um motor elétrico com 72cv. Os motores trabalham de forma paralela e somam uma potência de 123cv. Este á o carro mais econômico no Brasil hoje.

o          Ford Fusion Hybrid – R$ 149.900,00

Conta com os dois motores: um a gasolina com 143cv e outro elétrico com 88KW. Juntos os motores geram uma potência de 190cv. O motor elétrico pode chegar a uma velocidade de 100km/h quando estiver funcionando de forma independente.

 

Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.