Por Karina Marinheiro

Slow fashion, upcycling, movimento maker… essas são as tendências da moda que vem ganhando força ano a ano. O slow fashion é um movimento inspirado no slow food e defende princípios como produzir roupas de boa qualidade, com menos impacto ambiental e em um ambiente ético e justo para consumidores e produtores. A qualidade e a versatilidade são muito mais importantes neste caso, do que a quantidade. Já o upcycling e o movimento maker tem o objetivo de remanejar tecidos e peças que seriam descartadas para criar novas roupas e vendê-las a um público criterioso que exige qualidade, design e sustentabilidade.

Interessada nesse movimento, participei do workshop de Modelagem Criativa aplicada ao upcycling, no Espaço C&A de Oficinas, na 7ª edição do Fashion Meeting, que aconteceu em abril, no Museu da Imagem e do Som. Lá encontrei jovens estilistas altamente comprometidos com o futuro da moda e seus impactos. A maioria tem como objetivo criar a sua marca baseada no tripé da sustentabilidade: viabilidade econômica, maior impacto social e menor impacto ambiental. O maior desafio, segundo a professora de moda do SENAC, Isabela Siqueira, responsável por aplicar as técnicas do upcycling aos participantes, é criar padrões nos processos de reaproveitamento e assim ganhar escala para que o produto seja viável e não fique “preso” à esfera da customização.

Em média, 15% do tecido é desperdiçado no corte de uma peça. O Brasil produz cerca de 170 mil toneladas de retalhos por ano, 80% desse material não tem destino adequado e acaba sendo jogado em lixões. Assustador, não? Esse descarte é uma grande oportunidade de negócio.

As iniciativas foram realizadas em parceria com a Think Blue, marca carioca incubada pelo projeto Malha + C&A, que cria produtos únicos e exclusivos com matéria-prima descartada.

Baseada em seus princípios e valores, a C&A atua em uma plataforma global de sustentabilidade que inclui o monitoramento de toda a rede de fornecimento e a ousada meta de que 100% do algodão utilizado como matéria prima seja mais sustentável até 2020.

Estamos na torcida para que essa gigante da moda possa nos dar a oportunidade de consumir produtos mais sustentáveis e acessíveis, os quais poderão ter influência positiva numa indústria que tem um impacto social e ambiental tão relevante no nosso planeta.

 

 

De Beethoven à Beth Carvalho, Kaká, ou mãe do Theo - como prefere ser chamada, adora música. O desejo por um mundo melhor fez especializar-se em um tema que é apaixonada ha mais de dez anos: sustentabilidade. Viajar, conhecer novas culturas e ajudar as pessoas alimentam sua alma. Com grande experiência em liderança aplicada a sustentabilidade, acredita que a informação pode melhorar os modelos de consumo, gerar negócios e fazer a diferença.