Após muitos anos de concreto em nome do progresso, as cidades precisam repensar suas estruturas. Hoje temos empenas cegas como abrigo de jardins verticais e asfalto feito de plástico reciclado, mostrando que tudo pode ser questionado. E é nesse contexto que surge o Dynamic Street, um sistema de pavimentação modular e configurável que pode se adaptar às necessidades das pessoas.

A proposta é do escritório de design e inovação Carlo Ratti Associati, com sede em Turim, na Itália, criada em parceria com a Sidewalk Labs, subsidiária do Google baseada em Toronto, no Canadá. A ideia é realmente tornar as ruas moldáveis. “É uma alternativa para meio-fio ou linhas pintadas no chão e, em vez de separar os fluxos de tráfego, o sistema flexível permitiria que a função de uma rua mudasse rapidamente – de uma rodovia para carros num dia para um espaço infantil no dia seguinte”, explica o escritório no site do projeto.

Como funciona o piso modular

O protótipo foi construído com uma série de módulos hexagonais em madeira. Eles podem ser recolhidos ou substituídos em horas ou até minutos, mudando a função da determinada estrada sem criar aquelas interrupções caóticas comuns em grandes cidades.

“A Dynamic Street cria um espaço para a experimentação urbana: com este projeto, pretendemos criar uma paisagem urbana que atenda às necessidades em constante mudança dos cidadãos”, diz o professor Carlo Ratti, que além de fundador do escritório, é diretor de laboratório no Instituto de Tecnologia de Massachusetts(MIT). “Como os veículos autônomos provavelmente devem correr pelas ruas em breve, podemos começar a imaginar uma infraestrutura rodoviária mais adaptável”, sugere.

Em fase de teste, a Dynamic Street foi instalada no Quayside 307, em Toronto, um antigo edifício industrial transformado em escritório e espaço de trabalho experimental para a Sidewalk Labs. Durante a exposição, os visitantes podem brincar de “cocriar” pavimentações usando um reconfigurador digital, que projeta cenários urbanos próprios.

“A instalação é uma experiência e uma área de pesquisa ativa, por isso esperamos que ela mude conforme aprendemos com feedback e testes. Nesta primeira iteração, as pavimentações são feitas de madeira para que possamos rapidamente mudá-las – esperamos que versões posteriores sejam feitas materiais mais resistentes”, diz Chris Anderson, da Sidewalk Labs, que acrescenta: “Esperamos que os visitantes imaginem novos tipos de atividades urbanas para as ruas”.

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